terça-feira, 8 de junho de 2010

A educação

Quando a escrita chegou no Egito um sábio profetizou:

-Esse negócio é uma praga. Num futuro teremos uma porção de falsos sábios, pois eles acreditarão possuir algum conhecimento obtido através da escrita, mas na verdade não saberão de nada.

Lógico que não foram essas as palavras, mas em resumo era isso. Em outra ponta, nós podemos ler na Pedagogia de Santo Tomás de Aquino, em sua introdução, a inviabilidade da educação. Pelo estudo do movimento é impossível o ato de alguém ensinar e um outro aprender. O que é uma coisa absurdamente realista. Quem enfrenta o ensino superior hoje em dia tem essa impressão, que ninguém ensina e ninguém aprende. A forma como Santo Tomas descreve que é impossível alguém ensinar e um outro aprender é o perfeito retrato da atualidade. O que demonstra que o erro não está na educação em si, mas em acreditar que ela deveria funcionar sendo que ela nunca funcionou.

Entretanto Santo Tomas defende a pedagogia: O ato de ensinar e de aprender é uma concessão divina. Novamente, as vezes quando aprendemos algo que alguém nos ensina temos a sensação de estar diante de um milagre.  Não é só a sensação, é verdadeiramente um milagre. Santo Tomás é científico pois ele era professor. E disse isso pois é o que viu com os próprios olhos, e é o que qualquer um que tenha olhos pode ver.

sábado, 29 de maio de 2010

A política das orquídeas

E economia vai bem, o desemprego baixo, as perspectivas são as melhores possíveis.

Nada de errado? Talvez você esteja na Alemanha na década de 30, ou no Brasil em 2010.

Nosso presidente é amigo de ditador, genocida, traficante e construtor de bomba atômica de fundo de quintal. Potencial para ser mais uma nação fascista é grande. Mas o brilho da Terra Prometida ofusca a vista, finalmente o Brasil será o país do futuro.

Não há segredo. O Lula não sabe, mas democracia significa que o presidente é só mais um Zé Ruela que deve seguir a lei. A democracia é isso e acabou. Se o presidente não segue a Lei, se o presidente é a Lei, então é ditadura.

O amor incondicional do Lula a todo tipo de pária revela sua visão de mundo. O presidente deve estar acima da Lei. Se o presidente manda prender, matar ou soltar quem ele quiser o Lula enxerga meramente como um exercício de autodeterminação dos povos.

Não há segredo. Existem três opções para uma nação:

1 - Se enche uma área tropical de puta, ladrão e traficante e se faz um país excitante de se morar, mas cheio de pobreza e violência, etc.

2 - Se enche uma área temperada de gente careta, hipócrita e chata e se faz um país seguro e que consegue ficar rico (pois não se gasta dinheiro com puta, droga e nem se quer se é assaltado por alguém que vai gastar com putas e drogas).

3 - Pegam algum cu do mundo, colocam um troglodita sentando numa cadeira e lhe dão um exercito para matar, roubar e conduzir o país rumo ao progresso material (que nunca chega). A versão mais muderna o animal ganha um botãozinho vermelho para explodir o resto do mundo se ficar deprimido.

A sorte do Brasil é que não fica num cu do mundo. A própria natureza é propícia para o desenvolvimento do primeiro tipo de civilização. A política se torna assim como uma criação de orquídeas, que só se desenvolvem num ambiente propício.

Os países que se tornam ricos pois estão cheios de gente chata. Um dia eles começam a sonhar em ser um país legal, cheio de putas e traficantes. É um dilema moral, eles tem dinheiro para a farra, dinheiro para a ressaca, dinheiro para o tratamento em clínica isolada em algum canto paradisíaco, dinheiro para abortar, dinheiro para o antirretroviral. Então porque putas e drogas seriam um problema? Eles enriqueceram, tem direito a isso!

E, por fim, temos as ditaduras. Que prometem a riqueza dos países chatos com a qualidade de vida dos países pobres. Essa é a pretensão do PT, e sua postura de apoiar toda e qualquer ditadura. Obviamente eles só conseguem juntar a chatura dos chatos e a pobreza dos pobres para o povo, e a riqueza e a qualidade de vida ficam pros escolhidos do Partido.

sábado, 3 de abril de 2010

Esquizofrenia coletiva

Faz tempo que não via o noticiário na TV. Mas ele mantém uma velha esquizofrenia intacta. A culpa é do excesso de velocidade.

Muito tempo atrás comecei a reparar em certas notícias. Faz algum tempo que vejo que a culpa é do excesso de velocidade.

-Homem saí de casa noturna, onde consumiu bebidas alcoólicas, atropelou dois velhinhos na avenida. A culpa é do excesso de velocidade.

-Após recapearem a pista eliminando os buracos, o número de acidentes na tal rodovia aumentou. A culpa é do excesso de velocidade.

Nesse final de semana continuo vendo a mesma história. A culpa é do excesso de velocidade.

-Vejam cenas chocantes de acidentes. A culpa é do excesso de velocidade.

-Um caminhão atravessa o cruzamento da estrada onde era obrigado a parar. O carro não conseguiu parar e bateu na sua lateral. A culpa é do excesso de velocidade.

-Dois caminhões ultrapassam um carro num local proibido. Nada a acontece. A culpa é do excesso de velocidade do MB 1113 carregado com 20 toneladas.

-Um carro estacionado no cruzamento, onde é proibido, tira a visão de quem faz a travessia do cruzamento. Sem a devida visão um veículo provoca um acidente. A culpa é do excesso de velocidade.

A culpa é do excesso de velocidade pois o excesso de velocidade é a culpa. Se não fosse o excesso de velocidade seria o excesso de velocidade assim mesmo. Como a gente não sabe de quem é a culpa e a gente ganha dinheiro pois a culpa é do excesso de velocidade. Ganhando dinheiro a culpa é do excesso de velocidade e a culpa é do excesso de velocidade dinheiro. Excesso culpa velocidade dinheiro. Dinheiro excesso culpa velocidade. A culpa é do excesso de velocidade.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A forma e a substância

São naturais os entes passíveis de serem movidos. Eles são compostos de forma e substância.

Enquanto a forma é sensível aos 5 sentidos, a substância apenas a razão humana reconhece. Se pode abstrair todas as formas de um homem, como numa estátua de cera. A estátua de cera é um homem sem substância, é apenas um homem em forma.

Não se pode mover o homem de cera enquanto homem. O homem de cera não pertence a natureza, é um homem artificial. A cera em forma de homem é que pode ser movida, pois a cera pertence a natureza. A cera tem assim forma e substância.

Por mais estranho que pareça, esse é o princípio de conhecimento da realidade:

Quando se apreende o ente como é e como se move, se apreende uma realidade como tal.

A coisa se torna interessante no caso de analisar um sonho ou uma alucinação. Uma pessoa normal compreende que um sonho ou uma alucinação não pode ser verdade, pois não é possível que as coisas tenham se movido daquela maneira. Mesmo que todas as formas lembrem que você está na praia, você se lembra que não se moveu até lá e concluí que foi só um sonho. A loucura não está nas alucinações, a loucura está em confundir uma alucinação com a realidade.

Então é evidente que alguma coisa se move. Os sentidos captam a forma. Mas a forma pura pode ser uma estátua ou uma alucinação. A razão aprende que existe uma substância por trás daquela forma, apreendendo como ela se movimenta.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Força policial

Essa semana duas notícias envolvendo policias ganharam as manchetes.

Na primeira, o filho de um Coronel reformado da polícia do Rio de Janeiro foi preso com um outro policial por tentativa de assalto.

Em outra, policiais militares na Bahia foram flagrados feito maloqueiros numa micareta, arrumando briga em meio a multidão.

O tal Coronel reformado, cujo filho foi preso, é famoso por punir policiais por abuso de autoridade. As pessoas ignoram que é prerrogativa da polícia dar porrada. Nós não podemos... Mas eles podem E DEVEM!

Não é raro ver policial dando porrada em casos de distúrbio da ordem pública, e a imprensa cair de pau em cima. A mais recente onda é dos protestadores do caso Arruda no DF. Aqueles protestadores não devem apanhar só por causar distúrbios na ordem pública, mas especialmente pois não apanharam do pai em casa e se tornaram analfabetos funcionais. São universitários que não conseguem ir além do que um orangotango faria se estivesse bravo. A crítica é válida pois o Brasil é um país democrático e, de um jeito civilizado, esse pessoal jamais sofreria qualquer embaraço.

Em países onde não há democracia, como no Irã e na Venezuela, aí só resta agir como orangotango, mesmo. Quando a coisa se torna uma questão de vida ou morte não há que esperar diferenças entre orangotangos e homens. Quando vemos as execuções feitas no Irã, devidos aos protestos por lá, fica difícil saber quem são os animais.

O Coronel-reformado-que-pune-abusos-policiais-e-tem-filho-assaltante é um caricato cronocêntrico. Quem tem dó de orangotangos pode criar monstros.

Não pretendo justificar todo tipo de abuso policial. Só lembrar que um policial no exercício de sua função tem que, inclusive, dar porrada. E normalmente a imprensa joga a opinião pública contra a polícia nesses casos. E o tal Coronel parece que não gostava muito do exercício policial. Se o Coronel ouvisse mais o pessoal da comunidade saberia que um tapinha não dói.

No outro lado vimos policias numa micareta, distribuindo socos sem qualquer critérios em meio a multidão. É exigência do processo civilizatório no mínimo um cassetete, utilizado para dispersão. E, se perseguir alguém no meio da multidão que seja algemado. Perseguir no meio da multidão para dar soco e deixar ir embora não foi dispersão, mas agressão policial (ou o tal abuso). Policial tem que perseguir quem cometeu crime, quem deve ser preso. Caso contrário deveria se limitar a distribuir democraticamente suas porradas, sem distinção de sexo, cor, classe social ou espécie.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Por que estudar filosofia? Parte III

Como vimos, a vitória nas guerras Médicas possibilitou uma nova forma de vida para os atenienses, onde a educação militar perdeu a importância e a democracia entrou em cena.

Logo perceberam que, o homem que dominasse a arte de falar bem controlaria a democracia e Atenas.

Quando perceberam isso, lembraram que haviam dois estrangeiros em Atenas, que até então serviam mais como motivo de piada.

Eles eram Parmênides e Zenão de Eléia. Foram a Atenas levar suas idéias. Não foram os primeiros filósofos a chegarem em Atenas, essa honra cabe ao Anaxágoras. Mas eles levaram uma curiosa a discussão filosófica aos cidadãos atenienses.

Procuravam demonstrar que tudo que se vê é uma coisa só. Uma coisa não poderia ser uma e muitas ao mesmo tempo, assim tudo que víamos era uma coisa só. Chegavam a conclusão de que nada se movia e os sentidos eram apenas ilusões.

Parmênides e Zenão de Eléia defendiam essa idéia aparentemente absurda com argumentos claros e aparentemente verdadeiros. Se no início eram motivo de piadas, se tornaram interessantes às ambições da democracia ateniense. Os atenienses passaram a prestar atenção no que tinham a dizer, mas não no sentido filosófico de conhecimento da verdade que, apesar de tudo, Parmênides e Zenão buscavam. Prestavam atenção para apreender a técnica de desenvolver argumentos. Argumentos para defenderem suas idéias, sem se preocupar com a verdade por de trás delas.

O sofismo, então, ficou conhecido como esse tipo de conhecimento. Exemplos de como ela empobreceu a democracia e levou a corrupção de Atenas no próximo capítulo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Por que estudar filosofia? Parte II

Vimos que após as guerras Médicas os gregos tinham paz e passaram a controlar o comércio no mundo conhecido. Especialmente graças a sua imensa frota naval construída, a princípio, com fins militares.

Até as guerras Médicas a vida de todo grego era voltada para a guerra. A preparação física para a batalha era realizada num ginásio, e essa era a mais importante forma de educação.

Além da ginástica militar, os gregos costumavam entregar o filho aos cuidados de um escravo (pedagogo é escravo em grego). Aprendiam geralmente música e dialética, a arte de falar bem, mas nada de muito especial. Eram poucos os que sabiam ler e escrever.

Após a vitória sobre os Persas já não havia mais um motivo evidente para continuar com a educação militar. Não havia motivo mas os espartanos mantiveram a educação militar, enquanto em Atenas houve a grande reforma de Péricles. Floresce então a democracia, que passa a ser o centro da vida em Atenas.

Na democracia ateniense, todos os cidadãos (ou toda pólis) tinham direito a voto. Ser cidadão excluía então escravos e mulheres. Eram cerca de 400 cidadãos em Atenas, que se reuniam para fazer e executar suas leis. Era assim legislativa e judiciária a democracia ateniense.

Então todo cidadão tinha direito de expor suas idéias para serem votadas por todos os outros cidadãos. Logo se viu que um sujeito com uma maior capacidade de expor suas idéias controlaria Atenas.

Assim a educação perdeu a orientação militar, e passou a servir de base para a realização da democracia.

Como passou a ser essa educação é assunto para o próximo capítulo.