sábado, 25 de dezembro de 2010

Assange

Os picaretas são sempre charmosos. Eles levam provocam o caos, desgraçam tudo. Mas todo mundo os amam. O mundo não é perfeito, todo mundo erra e a aparência sempre vencerá facilmente o conteúdo.

O Assange, fundador da Wikileaks é um caso típico. E é um caso de delírio mundial. O movimento em torno do Assange acontece para rebaixar a democracia dos países ocidentais, equiparar a democracia ocidental a regimes autoritários. Sim, deve existir um bilhão de pessoas para discordar de mim, o que não deixa de ser engraçado. Ainda que tenha um bilhão de pessoas para defender Assange, eu estou certo e esse bilhão está errado. Mas como o Assange, eu também tenho medo de morrer numa prisão dos EEUU se eu for extraditado para lá. A minha sorte, como a dele, é que eu também acredito que eu não vou ser extraditado para lá graças a opinião pública mundial em torno de mim. Então, para não desagradar as massas, vamos defender Assange:

A graça toda já começa na acusação de estupro que ele sofre na Suécia. É claro, a Suécia só mais uma país fascista que publica tiras de humor do Maomé. Quem tem mais crédito, a Suécia ou um violador de correspondências e documentos oficiais? Claro que é mais fácil acreditar em um contraventor.

Ele é um contraventor, mas um contraventor de boas intenções. É o Che Guevara da era digital. Seus filhos e netos provavelmente terão uma camisa com o Assange estilizado, ou uma bandeirinha no quarto. O homem que veio para colocar o mundo nos eixos através da revelação da verdade. Como um homem tão bom pode ser um estuprador? Ahh, só num país com leis como na Suécia para ele poder sofrer uma acusação dessas. Como a Suécia pode garantir um julgamento justo, um país com tão longo histórico de violações contra imagem de Maomé? Num país justo como o Irã essa vagabunda que se utilizou sexualmente do Assange já teria ido para a forca.


A segunda parte se revela através no próprio conteúdo publicado. As poucas coisas que li foram as cartas da diplomacia americana sobre o Brasil. Puxa vida, os diplomatas escreviam para os EEUU que no Brasil há corrupção! Quanta maldade no coração, eu esperava que os diplomatas escrevessem cartas sobre a garota de Ipanema, sobre a caipirinha, todas essas coisas que os estrangeiros gostam de fazer no Brasil. Esses diplomatas vinham para cá e trabalhavam vendo o que acontecia, as acusações na imprensa (ahh, a democracia) e julgavam e enviavam relatórios sobre o que acontecia por aqui.

A terceira é sobre o medo revelado de morrer numa prisão dos EEUU. Todo mundo viu recentemente o que aconteceu com a última estrangeira acusada de espionagem nos EEUU. A russa Anna Chapman foi extraditada para a Rússia, onde foi fotografada de trajes íntimos para uma revista. Veja só, ela como estrangeira não pode ser acusada de traidora da pátria pelos os EEUU. Se Assange tiver o mesmo destino de Anna Chapman o mundo se tornará mais triste.

A única certeza que tenho na vida hoje é que no mundo tem, pelo menos, um bilhão de imbecis. O resto é tudo conseqüência duvidosa.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ülüsü

Consegui baixar uma discografia do Die Toten Hosen. Ela não está completa, mas tem bastante coisa. A banda punk de Dusseldorf entrou em cena na década de 80. Tirando o idioma parece uma banda dos anos 80 como nós conhecemos. Mas tem uma coisas divertidas:

Ülüsü (Úlussu)

A música em primeira pessoa, conta que ele conheceu uma menina numa festa e se apaixonou. Só que ele cometeu um erro, perguntou o nome dela:

Ich habe deinem Namen gefragt. Du hast Ülüsü gesagt.

Só pelo nome ele percebeu que ela era uma turca.

Wir haben einen Treffpunkt gemacht.
Ich bin nicht gekommen, denn du musst verstehen.
Ich kann nicht mit dir nach Hause gehen.

Eles marcaram um encontro só que ele não foi. Ele espera que ela entenda, ele não pode levar ela para casa. Seria uma desonra para a família. No final ele deixa a entender ainda que ela era uma vagabunda.

Auf der Party ging's mir sowieso zu schnell,
du gehst bestimmt mit allen ins Bett.

O tom melancólico da música revela a ironia. Hoje em dia seria censurado. O vídeo da música mais visto no Youtube tem menos de 600 visualizações.

Ich kann das niemals verstehen!
(Jamais posso entender isso!)

O álbum é o Opel-Gang de 1983, e tem uma Caravan (Opel Rekord) velha na capa.





segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Alemão x Inglês

Inglês é a língua universal, básica para qualquer cidadão do mundo ocidental. O inglês tem uma gramática muito simples, como poucas conjugações verbais, poucos artigos, etc. Além de tudo, vivemos em contato com o vocabulário inglês todos os dias, gostemos ou não.

O alemão tem uma gramática quase bizarra, com declinações como no grego, no latim ou eslavo, com artigos incompreensíveis (der, die oder das?) e com verbos que se separam, formados por preposições que não fazem sentido. O vocabulário parece um mar, onde será inevitável se afogar.

Mas que diabo eu gosto tanto de estudar alemão?

Eu escuto mal, eu tenho péssima memória para regras. Se me contarem uma história, com sentido, eu nunca mais esqueço. Agora, regras só me entram na base da marretada. Após de muito custo, com a certeza que 15 dias depois vou esquecer. Como a gramática é uma questão de regras, eu sempre fui péssimo de línguas.

Por outro lado, nós nunca sabemos porque as coisas são como são. As conjugações verbais ajudam na compreensão da língua. Para quem é surdo como eu é muito conveniente. Reparem no "eu é", fica claro que o sujeito não sou eu, pois o verbo não está conjugado para a primeira pessoa, e sim para a terceira: ele é! Ele que é surdo como eu sou. A conjugação verbal é um mal necessário, para facilitar a compreensão da língua. E falo isso com uma dor no coração, minha única nota vermelha até a 8ª série foi conjugando verbos. Eu gostaria muito de dizer que essas conjugações são inúteis, mas não são!

Outra coisa importante é que inglês é uma língua para pessoas sociais. Quem é anti-social sofre muito aprendendo "Nice to meet you", para você ser um cara legal em inglês você tem que ser um cara muito legal. No alemão a primeira coisa que se aprende é a fugir da conversa. Wie geht's? Es geht. Como vai? Vai indo. Du sprichst schon gut Deutsch! Es geht, Você já fala alemão bem! Vai indo. Não há nada que não se possa responder com um "es geht".

Um simples "wie, bitte?" soa muito educado. Como, por favor? Ou um simples "wassss!?" explicita uma profunda indignação. O que!? É fácil se sentir confortável para se usar as palavras certas.

Sobre os verbos que se separam, o verbo hören é ouvir. Zuhören é escutar. Aufhören, algum chute? Aufhören é parar.

Conjugando o verbo do imperativo, da para falar algo assim:

Hör das bitte auf!

Tente falar isso gritando, é melhor do que mandar para puta que o pariu e significa "pare com isso, por favor".

domingo, 24 de outubro de 2010

Ein Leben ohne Lüge

O bom de ouvir música em inglês é que ninguém entende a letra. O bom de assistir filme em alemão é que ninguém entende nada.

Eu assisto alguns filmes através da excelente transmissão on-line do Zweites Deutsches Fernsehen (www.zdf.de). A transmissão tem uma qualidade muito melhor que do Youtube, mais definição e velocidade. Acho que isso é possível pois o material disponível se resume, praticamente, a programação da semana. Ou assiste durante a semana, ou nunca mais.

Mas os alemães adoram um drama, e conseguem fazer um filme ser triste mesmo para quem não entende quase nada de alemão.

Ein Leben ohne Lüge (uma vida sem mentiras) mostra o seqüestro de uma menina. Sua mãe aparece muitas vezes olhando o mar enquanto é consolada pelo amigos. Seu marido se suicida logo em seguida. A mãe continua olhando o mar, de um forma totalmente triste e deprimente, esperando notícias da filha.

Enfim, encontram sua filha viva. Mas quem a seqüestrou? O vilão da história tenta se matar no final do filme. Geralmente se torce para o vilão morrer logo de uma vez. Quando muito, exalta-se a honradez de quem poderia ter deixado o vilão morrer, mas contra a vontade natural de todos acaba salvando alguém que não presta.

Mas a história é tão triste que não consegui desejar essa morte. Nem dá para encontrar qualquer valor grandioso no policial que o salva. Só esperava que não morresse para não ser ainda mais triste.

http://www.zdf.de/ZDFmediathek/hauptnavigation/startseite/#/beitrag/video/1156414/Ein-Leben-ohne-Lüge

domingo, 26 de setembro de 2010

Os mandamentos

São muitas as discuções que se propagam. Pode-se debruçar sobre elas e perder vários anos da vida. Até cançar e não chegar a lugar algum.

Existe uma discussão que nunca vi, talvez por falta de atenção, mas certamente mereceria se investir vários anos. O que significa afinal "amar Deus sobre todas as coias e o próximo como a si mesmo"?

Não é uma respostas óbvia. Amar Deus sobre todas as outras coisas é algo muito fácil de entender, mas absolutamente difícil, praticamente impossível de se executar. É justo que se chame quem viveu isso de santo. É algo que foge da minha capacidade.

Amar o próximo como a si mesmo não parece ser algo tão complicado. Mas não deixa de ter seu mistério. Para amar o próximo como a si mesmo você tem que saber como você se ama. Você se olha no espelho e repete "eu me amo, eu me amo, eu me amo"?

Eu duvido que alguém saiba responder isso com honestidade muito facilmente. É uma questão quase confessional, creio. Só se fala para Aquele que não se consegue mentir. O que posso perceber é que as pessoas nunca se amam da mesma maneira. Não existe padrão para o amor-próprio, esquecendo as teorias motivacionais. Certo ou errado? Se estiver certo significa que não existe padrão para amar o próximo.

Esta aí, um motivo a mais para amar Deus sobre todas as outras coisas. Eu não sei se vou conseguir amar a Deus sobre todas as outras coisas, e nem sei se vou desobrir como eu me amo para amar o próximo como a mim mesmo. Pelo menos vou poder dizer que eu pensei bastante no assunto.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Gênesis, final.

O Gênesis explica assim como se formou a humanidade. Seria até engraçado passar pelo Gênesis pela ótica darwiniana. Será que as macacas piravam em ver os macacos de tanga? Ou ao menos as macacas mais inteligentes... Ou será que os macacos mais inteligentes obrigavam suas macacas a se vestirem, para não ser atacadas por outros macacos?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Gênesis - Parte I

Hoje me deu vontade de defender o Gênesis. Aliás, eu tenho essa vontade a muito tempo...

A briga é muito conhecida. Big-bang contra Gênesis. Darwin contra Gênesis. A ciência contra um credo? Não para um cristão, o Gênesis é a Verdade e o resto é só ensaio especulativo. O que fica sujeito ao credo então é a própria ciência.

Não há porque se envergonhar, as teorias científicas que explicam a criação da Terra e do homem são muito mais limitadas e grosseiras que o Gênesis. O fanatismo científico obnubila.

É muito simples, meus caros: Darwin tentou explicar como aconteceu a evolução do homem. O Gênesis contém exatamente como, quando e porque. Pretensioso demais, não? Pois é, somente um detalhado exame da razão para se certificar disso.

Adão andava pelado como todos os outros animais. Até que um dia Adão comeu o fruto do conhecimento do bem e do mal. Ele sentiu vergonha e por sentir vergonha foi expulso do paraíso.

Oras, pois, os outros animais ainda andam pelados, eles não tem conhecimento do bem e do mal. O Gênesis aponta que um dia estávamos pelados e, noutro dia, colocamos um canguinha e fomos expulsos do paraíso.